Wednesday, November 01, 2006

Dezembros

Cássio Cavalcante
Oi pessoal, a minha história que quero contar a vocês começa aqui. Já há algum tempo, de dezembro a dezembro, que só penso numa mulher. Até aí tudo bem, né? Estou com dezessete anos, com todos os meus hormônios em forma. Mas tem um, porém. Essa mulher é uma cantora. É, também concordo que não tem nada de mais, se ela não fosse famosa, e vivesse no eixo Rio, São Paulo e eu aqui no bairro da Boa Vista, nas terras que um dia foram bem colonizadas por Mauricio de Nassau. Todas as noites fico a masturbar-me, inspirado em fantasias com ela. Sempre deitada entre flores, e eu lhe dando prazer, e ela, lânguida em sua essência revira os olhinhos de gozo e paixão pela minha pessoa. Nunca fui chegado nesse negocio de ser fã, mais sua arte fez a minha cabeça. A musica dela me fez bem, comecei a ouvir, daí foi um pulo pra essas fantasias nada sacanas, mais sim muito românticas povoarem a minha cabeça. Ela canta esse Pop Rock nacional, e tem bom gosto. Além de compor, recria sucessos alheios, e tomo posse. Como foi o caso de Camila Camila, do grupo Nenhum de Nós, acho que do final dos anos oitenta.
Minha ultima transa foi com uma amiga do cursinho, as vezes a gente fica, menina tudo de bom. Pois não é que na hora me peguei pensando na Jade, esse é o nome da pop star, e no tal tapete de rosas. Se a Alicinha imaginasse, acho que me daria o maior esculacho e ia embora.
É agora que o melhor dessa historia começa, ela veio fazer um show aqui no Recife. E eu fui, claro. Estava sozinho, tinha a impressão que ela cantava olhando para mim, o bar estava lotado, era meio surreal, ela estar cantando a poucos metros de mim. Cantou seus sucessos, sempre muito bem aplaudida. Seus olhos grandes e melancólicos de um preto sem igual, davam um contraste harmonioso a sua pele muito branca, tudo isso emoldurado por cabelos na altura dos ombros, também pretos, sob uma luz bem feita, pareciam azulados. O nariz era pequeno e delicado que lhe caia muito bem, a boca no tamanho certo, me pareceu um tanto carnuda, pintada com um leve batom, assumia um certo ar provocante quando depois de terminar uma música, a mordia levemente com seus dentes de um branco sem igual. O jeans que usava, era do tipo segunda pele. Justo começava muito depois de seu umbigo. Usava uma micro blusa de mangas compridas, que terminavam em suas mãos muito brancas de dedos longos, Lindas! A cor das unhas não deu pra ver, mais notava-se que era alguma cor escura. Não deu para ver os sapados quais eram, só que tinha os bicos muito finos. Estava perfeita! Naquele momento, sentada em um banco, abraçada a seu violão cantando uma musica que recriara e transformara em uma balada romântica, como só ela sabe fazer. Estava na plenitude de seus 28 anos.
Como todos sabemos que alegria de pobre dura pouco. O show chegou ao fim. Tivemos direito ainda a dois BIS, então acabou...
A minha preocupada mãe não falhou e mais uma vez me patrocinou um dinheirinho com direito ao táxi da volta. Meu espírito aventureiro e a necessidade de alguma verba para o pagode daquele domingo que começava a chegar resolvi esperar um ônibus. Tava só na parada, um fox prata parou. O vidro desceu, uma mão me chamou, seguida da pergunta feita por uma voz rouca e sensual:
- Carona?
Vamos lá. Quem acha que era ela, ou que não acha, façam suas apostas. Acertou quem acreditou que também sou filho de Deus, errou que apostou as fichas imaginando que eu estava fantasiando legal. Recomeço a nossa conversa já dentro do carro. Como já sabemos o carro não é muito grande o ar estava acredito que na potencia máxima, isso somada ao meu nevorsismo me dava uns calafrios na barriga, ela notando e se divertindo com isso engrenou uma conversa:
- Notei que gostou do show.
- Foi?!
Ela mordeu suavemente novamente os lábios e disse:
- Foi sim. Sempre quando canto, principalmente em uma cidade que nunca estive, procuro um na platéia pra ser o meu porto seguro, hoje foi você. – Terminou de falar com um sorriso, ao meu ver sacana. Em seguida jogou os sedosos cabelos para traz, exalando um cheiro de um perfume forte e doce.
- Foi?!
- Mas você não vai ficar monossílabo a noite toda, vai?
- Não...
- Vamos as vias de fato. Onde tem um motelzinho gostozinho pra gente se conhecer melhor. – disse isso sorrindo como o meu estado de total esgotamento nervoso a divertisse cada vez mais. – Então, Vamos?
- Vamos?!
Ela parou o carro de repente, não parecia com raiva, mais talvez um pouco decepcionada e decidida:
- Vamos ou não vamos?
- Claro que vamos. No próximo sinal você entre a esquerda. Aqui perto tem uns lugares legais pra gente ficar.
Ela pareceu que tinha ganhado algum jogo, um certo ar vitorioso, o seu sorriso a denunciava. Chegamos e como em um passe de mágica não estava mais nem com frio nem tão pouco nervoso, estava afinzão. Afinal a sorte não bate em nossa porta duas vezes, né?
Ela foi no banheiro, e voltou com uma toalha cobrindo o seu corpo, deitou na cama de uma maneira despojada, a deixando iressistível. Brincava com o painel ligando e desligando as muitas luzes, criando uma seqüência psicodélica. Eu a observava e a venerava enquanto tirava a roupa. Fui para a cama só de cueca, quando o meu joelho tocou o colchão macio forrada com o lençol de cetim, veio, só lembrei do tapete de flores em que eu a possuía em minhas fantasias. Deitei em cima dela e a comecei a beijar. Estava tudo dez. Até ela de repente me empurrar, e de uma maneira feroz arrancar a minha cueca. Tive que me concentrar pra manter a guarda. Não espera, fiquei um pouco confuso. Ela não me chupava, me sugava. Tinha que manter a concentração, se não conseguiria usufruir tão grande raro prazer que me chegava. Tentava a todo custo não explodir todo o meu prazer, e terminar aquilo precocemente. Ela parou sem me olhar, sentou-se em mim, ia e voltava me arrancando gemidos bestiais. Sem saber o que fazer coloquei as mãos em seus seios. Ela rapidamente, tirou prendendo meus braços a cama com as suas mãos. Com uma força que nunca imaginei que tivesse. Não agüentando mais a inundei com todo o meu prazer. Ela revirando os olhos chegou a me assustar.
Quando se consumou tudo, ela deitada ao meu lado fumava, aspirava a fumaça para cima e a observava, nos seus olhos um brilho de prazer que talvez nunca mais eu note outra vez em alguém. Não dizia nada só observava a fumaça. Até que me olhou, se sentindo bem a dona da situação me disse baixinho, entre uma tragada e outra:
- É meu caro, bem vindo ao meu mundo...
Ainda tivemos mais uma vez naquele quarto de motel, mas sempre ela no comando, eu que não sou babaca, não ousei contestá-la. Não posso dizer que não gostei. Mas esperava algo diferente. A grande decepção ainda estava por vim. Quando já nos preparávamos para ir embora ela de pé via alguma coisa dentro de sua bolsa. Então peidou. Chocados? Também fiquei. Um longo e sonoro peido foi o que fechou aquela noite para mim.
No carro, ambos estavam mudos, o que era quebrado somente quando eu a ensinava como chegar onde morava. Estávamos parados em frente ao meu prédio ela com um sorriso sem graça me disse:
- Foi bom, a gente se vê qualquer dia.
- É quem sabe, a gente se vê mesmo.
Já no meu quarto, sem ter idéia e nem querendo saber onde ela estava, me perdia em meus pensamentos:
- Hum! E eu que de dezembro a dezembro, como dizia o meu vô, pensava nela... Nunca imaginei que seria assim. Eu contando ninguém acreditaria... Que saudade do meu avô. Tenho que dormir logo, o café até que dona Irene, minha mãe, despensa. Mais no almoço, se eu estiver em casa, tenho que estar na mesa. Tem nada não. Ela merece é gente fina. Eu e minha vida.

as 21:23 horas da noite de 21 de abril de 2006.

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