Wednesday, November 01, 2006

O Dia da Caça

Cássio Cavalcante
A relva abundante de um verde forte, era a dominadora da paisagem. O contraste do marrom da cor dos cavalos, que reunidos traziam em seus lombos os donos. Senhores da aristocracia inglesa. Esperavam o toque da corneta para o inicio de mais uma caça á raposas.
Lorde Smith, não estava tranqüilo. Sentia que se encontravam misturados. O sangue azul que corria em suas veias fervia. Não admitia estar em um grupo que não fosse formado apenas por indivíduos de seu meio natural. Perguntou a seu primo quem era o sujeito de camisa amarela:
- Não sei.
- Providencie que ele nos deixe.
O soar da corneta anuncia que é chegada a hora da competição. Todos almejam o pequeno animal vermelho. Empalhado servirá de troféu para adornar os salões seculares. O forte galope dos cavalos somados aos latidos incessantes dos cães generalizava a confusão. Era um barulho ensurdecedor.
Em meio a tudo que se passava, o cavalo do Lorde se assustou. Ele tomba e a lama lhe serve de amparo. De todos os cavalheiros nenhum sequer olhou para trás, nem tão pouco pararam preocupados com o que tinha havido. Ao contrario disso ouviram-se gargalhadas. Não muito longe dali o jovem Richard observa o acontecido. No impulso corre em direção do acidente. Aproxima-se calmamente, desce da montaria e estende a mão ao caído:
- Quem é você?
- Ri... Ri...
- Como?! Fale de uma vez?
- Richard, milorde. O filho de Thómas, seu cavalariço.
- Vai então e diz a teu pai que ele está despedido.

***

Formou-se uma tarde nublada, depois da manhã ensolarada. Uma calmaria se apoderou de todo o campo. Não se ouvia os passarinhos, ou som de animal algum. Os ares vespertinos antecediam o crepúsculo que estava para chegar. O silencio era quebrado às vezes pelo canto da cigarra, comum naquelas instancias. No céu alguns pássaros iam-se voando para outras paragens. Um vento frio e rasteiro rolava as folhas secas no chão que se amontoavam. Outras caiam na águam faziam bordados circulares, que depois de certo tamanho se desfaziam por completo. No celeiro, amantes se dão.
Marcas de corpos no monte de feno. Richard amarra em volta do pescoço da amada uma fita de veludo azul, com isso deixa um camafeu enfeitando o colo tão querido. Com um dos braços enlaça aquela cintura fina e delgada. Tira de seus cabelos um pequeno pedaço de seiva seca, que teima em ficar ali como prova das caricias a pouco sentidas. Afasta os cachos dourados e lhe dá um beijo, que começa na nuca e passeia por toda as costas. Como se quisesse lhe roubar a alma nas lembranças de seu cheiro. Ele à vesti, depois lhe ajuda a atacar o espartilho:
- Sabe, foi melhor assim.
- Eu lamento tanto tudo terminar nessa forma.
- Emma, eu não agüentaria assistir seu casamento com o primo de seu pai. As vezes penso que a loucura será tudo que me restará, quando longe daqui, nunca mais a terei em meu braços.
- Porque a vida nos impõe a separação.
- Nosso caso não tem solução. Sairei hoje de sua vida para nunca mais voltar.
- Ela, coloca a mão em cima de seu ventre, e aperta a certeza de que seu amado nunca sairá de sua vida.



Cássio Cavalcante, exercício da oficina na tarde de 14 de junho de 2006.
3c1m@uol.combr

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