Cássio Cavalcante
Amanhecia na capital pernambucana, em um apartamento de três quartos em Boa Viagem, amanhecia como em todos a sua volta. Madalena e Paulo, começaram em um quarto e sala no bairro da Boa Vista, dez anos juntos e muito trabalho, conseguiram, o que para eles era o merecido lugar ao sol. Mas os dez anos não lhe deram só a residência, junto vieram Breno e o caçula Paulinho. A ampla sala em ele era um perfeito modelo de como a classe média vive nesta cidade.
Depois de tomar o seu café, Paulo volta. Procura um lugar para colocar a mão no aparador repleto de portas retratos, todos eles com pedaços da vida daquela família:
- Madalena, a gente podia tomar mais vezes o café aqui na sala, a cozinha é muito apertada.
- Infelizmente meu querido não dá, pois não tenho tempo de tirar tudo da mesa, hoje tomamos aqui, por que ganhei um dia de folga lá no trabalho.
- Oh! Meu amor, que coisa boa para você.
- É. Estava precisando mesmo.
- Uma pena que não vai dá pra eu vim jantar hoje em casa. Depois do trabalho tem um futebolzinho, o pessoal todo vai. Eu não posso ficar fora desta.
- Mas toda sexta agora tem este tal de futebol. Logo hoje que eu imaginei me cuidar para ir ao cinema com você.
- O cinema fica pra outro dia meu amor. Você não vai querer que seu garanhão fique com barriga. Vai?
- Deixa para outro dia então, depois eu tenho umas coisas mesmo pra colocar em ordem aqui em casa.
- Ah! Já ia me esquecendo meu amor. Aquela minhas camisas de linho, faz uns três meses que falta um botão em cada. Aproveita e conserta. Elas estão no lado esquerdo do armário, são as primeiras.
- Está bom. Se der tempo eu vejo isso sim.
Terminando suas recomendações o marido se aproxima da mulher. Beija a sua boca, com um beijo que não chegou a ser consumado, pois apenas encostou seus lábios nos dela. Madalena apressa os filhos:
- Vamos logo Breno, o transporte está já chegando, e o motorista é aquela chato, que não espera um minuto. Você me escutou?
- Escutei sim. Poxa mãe, que mico este negócio de chamar o pai para se cinema. Você não tem idade mais pra essas coisas não.
- Minha mãe não e velha não. – Gritou o caçula, e continuou. – Velho e feio e você, seu chato.
- Meu querido obrigado por defender a mamãe. Eu nunca ouvi dizer que tenha idade para ir ao cinema. Acaba logo e desce com seu irmão. - Agradeceu a mãe e avisando em seguida para o outro filho. - E você Breno vê se cuida de seu irmão.
O dia se passará como um sopro, da folga daquela mulher, ela nada aproveitou. Trabalhou todo o dia. Colocar a casa em ordem e pior que fazer uma faxina. Estava só desde as quatro da tarde, pois quando a empregada soube que a patroa ia ficar em casa naquela tarde, logo inventou uma boa desculpa para sair mais cedo.
Já passava das dez da noite, e a sala a meia luz criara um ambiente que tornava aquela mulher mais solitária. Nada que ela procurasse para fazer seria capaz de preencher o vazio que sentia. Era como se nada ou ninguém fosse capaz de libertá-la daquela melancolia que invadia o seu ser. Olha em volta e vê seu filhinho que dorme no sofá. Com muito cuidado e carinho tenta acorda-lo, e logo consegue. Meio sonolento Paulinho se abraça a mãe que o leva em seus braços, ela que pensou apenas em ajudá-lo a caminhar ate o quarto. Muito sonolento ele diz:
- Mamãe...
- Fale miudeza.
- Não me chama assim que eu não gosto.
- Tudo bem, meu amor mamãe não vai mais te chamar assim.
- Toda vida tu diz isso, e toda vida chama de novo.
Chegando no quarto ela deita o filho, olha para o outro que já está deitado. Volta novamente o olhar para o que acabou de deitar, para escutá-lo:
- Mamãe...
- Fala, miudeza.
- Viu? Chamou-me de novo. Mas o que quero te dizer e que o Breno não desligou o computador. Mesmo eu tendo mandado.
- Não desliguei. – Gritou o outro, e desdenhou. – E nem vou.
- Está bom, eu desligo. Mas não quero saber de brigas, quero os dois dormindo agora. – Dizendo isso Madalena desligou a luz, olhou para seus filhos. A luz que entrava pela janela iluminava as crianças, com isso a mãe conseguia vê-los bem. Uma pergunta logo lhe surgiu. Seria suficiente seus dois filhos saudáveis para satisfazê-la, e ela se sentir realizada?
Na sala, sentada na mesa do computador passa os dedos em todas as teclas, começando pelas do lado esquerdo indo ate as do lado oposto. Não sabia o porque, mas sempre fazia isso nos teclados que apareciam à sua frente. Antes de desligar o micro resolveu de repente, acessar a tela inicial de seu provedor. Fazia a seta se deslocar na tela desorientadamente, de acordo com a direção que suas mãos faziam o mause deslizar. De súbito resolveu clicar com a pequena seta em cima do ícone bate-papo. Na tela seguinte clicou em cima de “por idade”. Depois em “de 30 a 40 anos”. Uma quantidade de salas lhe apareceu, sem pensar muito escolheu a 32. Na próxima etapa ela obedeceu a ordem que a mandava digitar no campo abaixo o que ela via escrito na imagem ao lado. Ela olhou e viu as letras RZQX , o numero 4 e por ultimo a letra E. Não demorou para digitar as letras e o numero que viu. O passo seguinte foi escolher e digitar um apelido. Não pensou muito mais uma vez, e digitou FADA*AZUL. E logo pensou: “Meu Deus! Que nome mais infantil. Mas será este mesmo.” Pela sala de bate papo entrou no mundo virtual da internet:
(11:10:35) FADA*AZUL entra na sala...
Load_Combo("re", "rangel 28 bh bi>casado-33-sp>passivo obedece>@udi>Cowboy:)>BOY@.BH>RICK>Garoto solitário>sexo c/cam RS>preto>H48>fael.msn>Fernando>pau duro>Daniel/Cam>ADVOGADO intSP>35gordinpas int sp>CAM(punheta)>FRANMAR>cacetudo/CAM>gostosinho>Thelma>50%>FADA*AZUL>novo>gwre>EUA>Dudu Rio>Leandro . sp>Herodes II>JAIME>paulo.atv.copa>teen-cam", 1);StatusList(1, "");
Load_Combo("re", "DOM_QUIXOTE-]----->SUJEITINH@>Mell>carolla>Calado.", 1);StatusList(1, "");
(11:10:36) Linda Oriental™ fala para Todos:
if(top.midiSTS) document.write('')
(11:10:37) **Pan*tera** sai da sala...
Load_Combo("re", "LU@>Cássia>DOM_QUIXOTE-]----->BREGÃO O TAL !>Linda Oriental™>Bravinh@", 1);StatusList(1, "");
(11:10:40) BREGÃO O TAL ! entra na sala...
Load_Combo("re", "LU@>m.antonio>Cássia>**Pan*tera**>DOM_QUIXOTE-]----->BREGÃO O TAL !>Linda Oriental™>Bravinh@", 1);StatusList(1, "");
(11:10:42) **Pan*tera** entra na sala...
Load_Combo("re", "LU@>**Pan*tera**>DOM_QUIXOTE-]----->Callado.", 1);StatusList(1, "");
(11:10:45) **Pan*tera** fala para LU@:
Oi, amiga.
(11:10:50) LU@ fala para **Pan*tera**:
(11:10:58) DOM_QUIXOTE-]----- fala para LU@:
if(top.midiSTS) document.write('')
Olá, menina.
(11:12:03) LU@ fala para **Pan*tera**:
(11:12:07) DOM_QUIXOTE-]----- fala para **Pan*tera**:
top.playSound('a');
(11:10:12) DOM_QUIXOTE-]----- fala para **Pan*tera**:
(11:12:30) **Pan*tera** (reservadamente) fala para DOM_QUIXOTE-]-----:
top.playSound('a');
(11:15:05) Callado. sai da sala...
Load_Combo("re", "LU@>**Pan*tera**>DOM_QUIXOTE-]-----", 1);StatusList(1, "");
(11:20:01) Dama Da Montanha entra na sala...
Load_Combo("re", "LU@>**Pan*tera**>DOM_QUIXOTE-]----->Dama Da Montanha>Bravinh@>ROS@ DOS VENTOS*®>Calado.", 1);StatusList(1, "");
(11:21:12) Dama Da Montanha fala para Todos:
Boa noite!
(11:22:01) Dama Da Montanha fala para Todos:
distribuindo beijos..rs
(11:23:03) Mar do Caribe entra na sala...
Load_Combo("re", "LU@>**Pan*tera**>DOM_QUIXOTE-]----->Dama Da Montanha>Bravinh@>ROS@ DOS VENTOS*®>Mar do Caribe>Calado.", 1);StatusList(1, "");
(11:24:01) Mar do Caribe fala para Todos:
boa noiteeeeeeeeeeeee!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
(11:26:02) Mar do Caribe fala para Todos:
q bom q tem amigos na salaaaaaaa!!!!!!
(11:27:01) Mar do Caribe fala para DOM_QUIXOTE-]-----:
blz rapaz..
top.playSound('a');
(11:28:01) DOM_QUIXOTE-]----- fala para Mar do Caribe:
tudo amigo
(11:28:08) Mar do Caribe fala para LU@:
toc toc..
(11:29:03) LU@ fala para Mar do Caribe:
AQUI EU
(11:29:05) LU@ fala para Todos:
PRECISO SAIR
(11:30:03) LU@ fala para Todos:
BJS
(11:31:05) Kinho entra na sala...
Load_Combo("re", "**Pan*tera**>DOM_QUIXOTE-]----->Dama Da Montanha>Bravinh@>ROS@ DOS VENTOS*®>Kinho>Mar do Caribe>Calado.", 1);StatusList(1, "");
(11:31:10) Kinho fala para DOM_QUIXOTE-]-----:
top.playSound('a');
(11:31:15) Kinho fala para **Pan*tera**:
(11:32:01) **Pan*tera** fala para Kinho: oi
(11:32:06) SUJEITINH@ entra na sala...
Load_Combo("re", "**Pan*tera**>DOM_QUIXOTE-]----->SUJEITINH@>Dama Da Montanha>Bravinh@>ROS@ DOS VENTOS*®>Kinho>Calado.", 1);StatusList(1, "");
(11:32:09) SUJEITINH@ grita com Todos:
Boa noiteeeeeeeeeeeeeee
(11:32:15) SUJEITINH@ grita com **Pan*tera**:
Miiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
(11:32:17) SUJEITINH@ grita com DOM_QUIXOTE-]-----:
Fala menino
(11:32:20) **Pan*tera** fala para DOM_QUIXOTE-]-----:
top.playSound('a');
(11:33:07) DOM_QUIXOTE-]----- fala para SUJEITINH@:
(11:33:15) DOM_QUIXOTE-]----- fala para SUJEITINH@:
vc faz parte do trio maravilha
(11:33:20) SUJEITINH@ grita com DOM_QUIXOTE-]-----:
adoro esse trio viu?
top.playSound('a');
(11:33:40) DOM_QUIXOTE-]----- fala para Kinho:
kd as cachaças?
(11:33:50) Kinho fala para DOM_QUIXOTE-]-----:
todo dia tomo um gole, para não perder a prática
top.playSound('a');
(11:34:03) DOM_QUIXOTE-]----- fala para Kinho:
To aqui escrevendo um conto
(11:34:10) Kinho fala para DOM_QUIXOTE-]-----:
que conto demorado hein huahuahua
top.playSound('a');
(11:34:17) DOM_QUIXOTE-]----- fala para Kinho:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
(11:34:50) Kinho fala para DOM_QUIXOTE-]-----:
e no mais, tudo certinho? ta quente ai na tua cidade? aqui em ctba tá um mormaço
top.playSound('a');
(11:34:55) DOM_QUIXOTE-]----- fala para Kinho:
aqui no recife ta um forno
(11:35:06) Dama Da Montanha fala para DOM_QUIXOTE-]-----: amigo, estou saindo, ficarei esperando seu conto.. beijos
top.playSound('a');
(11:35:09) Flori [H] entra na sala...
Load_Combo("re", "DOM_QUIXOTE-]----->SUJEITINH@>Mell>Flori [H]>carolla>Calado.", 1);StatusList(1, "");
(11:35:10) Mell entra na sala...
(11:35:15) INDIANA.JONES entra na sala...
Load_Combo("re", "LU@>INDIANA.JONES", 1);StatusList(1, "");
(11:35:18) INDIANA.JONES fala para LU@:
OI MENINA, TUDO BONZINHO?
(11:35:20) INDIANA.JONES fala para LU@:
tava com saudades de vc
(11:36:01) LU@ fala para INDIANA.JONES:
top.playSound('a');
(11:37:05) LU@ fala para INDIANA.JONES: oie
top.playSound('a');
(11:37:10) INDIANA.JONES fala para **Pan*tera**:
oi menina, tava com saudades de vc
(11:38:03) **Pan*tera** fala para INDIANA.JONES:
(11:38:51) **Pan*tera** fala para INDIANA.JONES:
como vai suas conquistas rssr*
top.playSound('a');
(11:39:07) INDIANA.JONES fala para **Pan*tera**:
cada vez aumento mais minha coleção
(11:39:10) **Pan*tera** fala para INDIANA.JONES:
cuidado pra não se ferir com tudo isso...
top.playSound('a');
(11:39:15) Cássia fala para **Pan*tera**:
(11:39:20) **Pan*tera** fala para INDIANA.JONES:
psiu..kd as midis pra dançarmos?
top.playSound('a');
(11:39:25) Cássia fala para Todos:
tá tocando alguma coisa?
(11:39:31) **Pan*tera** fala para Cássia:
num abriu
(11:39:33) INDIANA.JONES fala para Cássia:
aqui tb n
(11:40:01) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Oh! A menina esta perdida por aqui?
(11:40:20) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Não, só observando. E gostando da alegria que estou vendo.
(11:40:57) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Mas aqui sempre é assim, a turma aqui é legal. Você tecla de onde?
(11:41:04) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Recife, e você?
(11:41:10) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
São Paulo, Morumbi. Conhece?
(11:41:15) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Fui algumas vezes ai. Sempre a trabalho e não deu para conhecer muito.
(11:41:20) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Mas de um próxima vez, saiba que terá alguém para lhe mostrar as coisas boas daqui.
(11:41:22) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Não começa a dizer essas coisas que acabo acreditando.
(11:41:31) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Pode acreditar menina.
(11:42:03) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Você é sempre tão gentil assim?
(11:42:07) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
E como se eu soubesse que fosse realmente se dar bem com você. Não sei te explicar.
(11:42:10) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Como é o teu nome?
(11:42:15) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Acho melhor não. Me chama de Indi, mesmo.
(11:42:20) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Vai me diz, o meu é Marlene.
(11:42:23) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Ta Bom o meu é Ricardo. Mas não me chama assim aqui. Certo?
(11:42:40) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Combinado Ricardo...
(11:42:45) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Como?
(11:42:50) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Ops, me desculpa, Indi. Mas me diz uma coisa, de onde tirou este apelido? Parece tão aventureiro.
(11:43:01) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Olha, foi assim. Quando fui entrar pela primeira vez não sabia que nome escolher. Não me vinha nada. Olhei para o teclado, e tenho uma estatueta do personagem ao lado. Acho que a ganhei, deve ter sido em alguma promoção na época do lançamento do filme. Como estava sem nenhuma idéia, olhando a estatueta, foi o que surgiu. Indiana Jones, (risos).
(11:43:43) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Nunca pensei. Que coisa! E como você é?
(11:43:50) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Sou meio ruim de me descrever, mas vou tentar. Tenho 1,85m, 87k, cabelos aloirados, olhos azuis, os braços fortes. Tenho a boca grande, mas em harmonia com o resto do rosto. Uma leve cicatriz abaixo dos olho esquerdo. 38 anos. E você?
(11:43:55) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Bem eu... Trinta e cinco anos. Cabelos pretos na altura dos ombros. Um rosto ainda jovem e seios fartos, (risos). A barriga à muito custo ainda esguia. Pernas grossas. Agora fiquei sem jeito.
(11:45:07) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Tudo bem menina. Prometo não dizer a ninguém por aqui como você é. Mas me deu água na boca. Viu?
(12:10:21) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Mas você me pareceu bem másculo, o homem exatamente como estou querendo hoje, (risos encabulados).
(12:15:33) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Não seja por isso, aqui estou.
A sensação que ela tinha, era de que aquele homem desconhecido, se tratava de um amigo muito antigo e querido. A cada palavra que lia, lhe dava mais confiança naquele que a poucas horas antes nem conhecia. A solidão em que jazia antes, sumira por completo. A timidez que no inicio parecia enrijecer seus dedos, agora da lugar a uma mulher livre, segura e desembaraçada. A segurança que aparecera de repente fazia com que um sorriso lhe Chegasse aos lábios de vez em quanto. Era tudo que ela não esperava para aquela noite. E o mais importante de tudo é que estava feliz, e como estava. Parecia estar hipnotizada diante dos galanteios daquele ser que para ela era como se fosse abstrato. Com tudo isso logo uma intimidade, que nunca em sã consciência ela daria a um homem que não fosse o seu marido. As palavras que começaram a surgir desde então, que de imediato lhe pareceram atrevidas, se transformaram em ardentes, e estava gostando de escuta-las e ate as respondendo:
(03:10:15) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Sabe em que eu estou pensando agora?
(03:12:13) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Não, o que?
(03:13:17) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Que a gente esta em um cantinho só nosso. Pode ser ate mesmo um quarto de Motel, climatizado, bem gostoso.
(03:15:07) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Nem me fale, me deu ate vontade...
(11:16:13) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Você deitada, eu te beijando te acariciando...
(03:17:10) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Eu gostando muito,de sentir tuas caricias...
(03:18:21) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Te beijando, mas não é um beijo simples não. É aqueles de novela, mordendo teus lábios, sentindo todo o teu desejo pela tua boca. Matando-te de tesão...
(03:19:51) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Está matando mesmo, pode ter certeza.
(03:20:12) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Agora beijando os teus seios, mordendo os mamilos, bem devagarzinho...
(03:21:13) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Estou entregue a você.
(03:22:01) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
continuando te beijando, tirando tua calcinha. Pronto. Agora você está livre, nua para mim...
(03:23:17) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Estou um pouco envergonhada...
(03:24:01) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Não fica, entre a gente não tem isso de vergonha.
(03:32:15) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Sim, continua.
(03:40:17) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Estou nu, deitado sobre você, sentindo o teu cheiro, a tua vontade. Percorrendo todo o teu corpo com minhas mãos tomando posse, te sentindo cada vez mais minha. Sem agüentar mais de vontade de entrar em você.
(03:42:20) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Estou entregue a você, também te desejando muito...
(03:45:21) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Te beijando, sentindo o teu coração com o meu peito. Começando a te possuir, te ter...
(03:50:01) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Não para, não para...
(03:57:13) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Te abraçando forte, e te sentindo cada vez mais, agora somos um só. No vai e vem que te enche de prazer...
(04:10:21) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Está muito bom...
(04:11:37) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Você é muito gostosa, estou gostando muito te sentir, de estar dentro de você.
(04:12:29) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Também...
(04:13:31) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Estou quase... estou preste a te inundar com meu tesão.
(04:14:16) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Você é especial...
(04:15:21) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Ahhhhhhhhhhhhh!!!...
(04:20:13) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Você gostou? Achou bom?
(04:21:16) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Gostei sim, e porque foi minha primeira vez assim, e não tenho muita experiência.
(04:23:14) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Nada, você foi ótima, deixa o resto comigo...
(04:30:13) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Certo, (risos acolhedores)
(04:37:21) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Você esta vendo que horas já são?
(04:38:13) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Estou sim, (risos), e que quando a gente ta gostando não vê o tempo passar.
(04:38:21) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Mas tenho que ir antes que amanheça, (risos)
(04:40:17) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Você volta amanhã?
(04:41:13) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Sim, gostei muito de você.
(04:42:09) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Te espero então.
(04:42:15) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Fui...
(04:43:05) FADA*AZUL sai da sala...
Load_Combo("re", "rangel 28 bh bi>casado-33-sp>passivo obedece>@udi>Cowboy:)>BOY@.BH>RICK>Garoto solitário>sexo c/cam RS>preto>H48>fael.msn>Fernando>pau duro>Daniel/Cam>ADVOGADO intSP>35gordinpas int sp>CAM(punheta)>FRANMAR>cacetudo/CAM>gostosinho>Thelma>50%>FADA*AZUL>novo>gwre>EUA>Dudu Rio>Leandro . sp>Herodes II>JAIME>paulo.atv.copa>teen-cam", 1);StatusList(1, "");
Load_Combo("re", "DOM_QUIXOTE-]----->SUJEITINH@>Mell>carolla>Calado.", 1);StatusList(1, "");
Quando desligou enfim o micro, já estava perto de amanhecer, ela calçou os pés nos chinelos, que antes descansavam em cima deles, vagarosamente. Como se não quisesse ir deitar, para aquele momento inusitado e mágico, que acabara de acontecer em sua vida, não fosse embora, junto com os primeiros raios de sol que começavam a despontar no horizonte. Olhou ainda uma ultima vez para todos os móveis como se fosse inspecioná-los. Entrou em seu quarto, tudo lhe parecia mais real e agradável. Os simples lençóis branco que cobriam sua cama nunca lhe pareceram tão deliciosos. E a ausência de Paulo, antes tão sofrida, naquela noite não lhe perturbou, sequer por alguns segundos. Dormiu o sono dos realizados, como já a alguns anos não conseguia mais fazer.
No shopping Paço Alfândega, um prédio que tem os seus arcos antigos a conviver com harmonia com o traço reto da modernidade, um desse acertos da arquitetura. Madalena, sai do elevador e caminha em direção de uma das muitas mesas da praça de alimentação. Sua impaciência chegava a ser visível, detestava esperar, e ainda mais quando fazia isso sozinha. Com seus trinta e cinco anos, era uma mulher bonita. Com seu volumosos cabelos pretos, seus seios fartos, e uma cintura q muita menina de dezoito anos sonha. Era sem duvida uma mulher atraente capaz de arrancar muitos olhares e suspiros de homens que inevitavelmente a observavam. Ela senta-se e como se não bastasse a demora de sua amiga, passa também a se irritar com os olhares do garçom ao longe, querendo insinuar a pergunta se ela deseja olhar o cardápio. Enfim a sua amiga chega:
- Que demora Laura, atrasada meia hora. Isso não se faz, você sabe que detesto esperar.
- Não demorei nada, você que é muito chata. Estava em Boa Viagem no outro lado, passar naquelas pontes no horário de almoço, é um caos e você bem sabe disso. O meu cliente, atrasou-me. E ainda foi me cantar na saída.
- Valia a pena pelo menos?
- Nada... Velho e careca, deve ser na base do viagra. Mas você que era a dona certinha, me perguntar se uma cantada vale a pena. O que houve? Noto mudanças...
- Nada de muito novo, Laura
- Mas Madalena isto aqui ficou muito bom, pensar que este prédio é da época do Brasil colônia. Ficou muito interessante. Aqui era um convento, sabia? Depois foi muitas coisas ate cair no abandono geral.
- Também gosto muito daqui, acho que este shopping e a prova que o antigo pode sim combinar com o moderno.
- Mais isto aqui tudo foi resultado de muito dinheiro. O dinheiro pode tudo, transforma tudo. E ate mesmo prolonga a vida. Também traz felicidade sim. – Depois de sua afirmação, a atrasada amiga deu uma sonora gargalhada.
- Sou forçada a concordar com você, mas vida o dinheiro não compra.
- Vai ser pobre e ter um câncer, enquanto tu vai amanhecer numa fila, o rico vai de avião para os maiores especialistas do mundo. Eu disse que prolongava e não que impedia a morte.
O rapaz toma coragem e se aproxima da mesa que estão as amiga, oferece um cardápio para cada uma. Madalena ainda demonstrando certa impaciência praticamente arranca das mãos do garçom o seu. Escolhe muito rápido e o devolve sem nem lhe olhar. Sua amiga também escolhe e voltam a conversar:
- Como está o chato de seu marido?
- O Paulo esta bem, só com o maldito futebol nas sextas a noite.
Olha menina, essa coisa de futebol, me cheira a mulher. Toma cuidado, viu?
- Acho que não.
- Eu depois de duas separações não quero mais homem na minha casa, na minha cama ate que as vezes não faz mal. Mas dividir banheiro nunca mais. Esta vendo aquele ali, moreninho, de camisa verde?
- Credo! Laura...
- Não venha me dizer que parece meu neto, no Maximo um filho.
- Sim, e você vai se envolver com uma criança.
- Mas logo você, com o nome que tem, vai me atirar a primeira pedra?
- Você sabe, não se trata disso.
- Os homens fazem isso a séculos, agora é a nossa vez menina. – E mais uma vez depois de sua ultima afirmação mais uma longa e sonora gargalhada.
- Pare de ri, e me escute. Te chamei aqui para te contar uma novidade.
- Eu sabia, notei alguma coisa no ar.
- Estou namorando. – Falou timidamente, como se agora que chegara a hora de fazer confidencias a amiga, lhe faltasse coragem?
- Jura? Quem?
- Indiona Jones...
- Quem?
- É meu namorado virtual... Um dia como quem não quer nada, entrei nesse negocio de bate papo. Para minha surpresa de repente estava transando com ele...
- Jura? Me conta esta historia direitinho, quero todos os detalhes.
- Como já te contei tudo aconteceu muito por acaso. Acho que faz pouco mais de um mês, mas teclamos todos as noites, ate de madrugada.
- Só estou acreditando porque você é quem esta me contando.
- Mas isso tudo esta me deixando muito cansada, vou dormir tarde e acordo muito cedo.
- E vocês transam todos os dias?
- Nem sempre, só às vezes.
- Como tudo isso começou?
- Entrei em uma sala, que a idade dos freqüentadores e na faixa de trinta a quarenta. Lá eles escutam musicas e conversam.
- Escutam o que? Musicas?
- É, musicas. Tem ate um nomezinho que eles chamam, que agora eu me esqueci.
- Sei, continua.
- Tem ate um site. Os mais veteranos, todos têm uma pasta onde guardam suas musicas prediletas. Está me entendendo?
- Estou. Que coisa interessante.
- O mais legal são os nomes, tem a Pantera, a lua o Dom Quixote.
- Este Dom Quixote deve ser um sonhador.
- Sei não, eu não falo muito com ele, mas ele me parece legal.
- Tem mais algum?
- Tem sim. O Lobo do Mar, a Mell e o Flori, Calado, Zandor, Nina, Sujeitinha, Nicole, Bravinha, Poder, Kinho, Dinho.
- Esses dois últimos são irmãos?
- Não, acho que não. Deixa eu te falar dos outros.
- Ainda tem mais?
- Tem o Vira lata, a Dama da montanha, a Estrela, O mar do Caribe. Agora se tiver mais alguém eu não lembro. Midis.
- Quem?
- Midis é o nome que chamamos musica lá. É assim que chamamos.
- Sei... E o teu nome, tu entra como Madalena mesmo?
Nada. Ta maluca? Eu na primeira vez entrei como fada azul, foi o primeiro nome que veio a minha cabeça. Sei que parece muito infantil, sonhador. Mas gostei e acabou ficando este mesmo.
- Que coisa! Estou besta com tudo isso. O teu marido, pelo menos desconfia de alguma coisa?
- Não. Ele nem se preocupa, com que eu estou fazendo na frente do computador...
O tempo passou, e o horário de almoço ia-se junto com todos que deixavam aquela praça de alimentação. O shopping antes lotado, já dava sinais da calmaria que lhe era comum no restante do dia. Um celular toca:
- Não é o meu Madalena. Será o seu?
- Ah! Dever ser. Estou com o celular do marido, o meu perdi lá em casa. Deve ser por isso que não reconheci logo o toque.
- Atende logo então.
- É uma mensagem...
- Veja logo o que diz. – Disse a amiga muito curiosa quase pulando da cadeira.
Madalena leu em voz alta:
“Bebe urso, infelizmente amanha, nossa sexta-feira não vai poder acontecer. Motivo de força maior. Pode ficar com a mocreia. Depois me liga.”
- Só pode ser engano, Laura.
- É nada, e logo na sexta... O bebê urso ta é lhe corneando.
- Será que o Paulo ta fazendo isso comigo?
- Amiga, não posso ficar com você. Queria muito, mas pra variar estou atrasada. Tenho que estar com o velho careca antes das três horas e já são duas e meia. Nem que eu tenha que empurrar um viagra na goela daquele careca, ele agora a tarde fecha o negocio comigo.
- Certo...
- Te cuida e juízo. Depois liga e me conta tudo, beijo. – Dizendo isso apressadamente foi se levantando, e repetiu andando e acenando. – Beijo.
As ultimas mesas eram limpas, e suas cadeira arrumadas. Só a mesa de Madalena, continuava como durante o almoço. Sentada ela não sabia o que fazer. Só pensava em seu aventureiro Indiana Jones. Enquanto descia as escadas rolantes observava o painel no piso central daquele shopping, ente os mosaicos se viam anjos voando, bodes, estrelas e ate mesmo uma vaca voando, ela pensou: “este painel sem duvida e inspirado no folclore pernambucano, que loucura tudo isso. Mas parece o momento atual de minha vida, onde será que estou me metendo?” A tarde estava nublada, mas ainda bem clara. Embora tendo um excelente edifício garagem, ligado ao shopping por um viaduto, nunca o usava. Gostava de estacionar a beira do rio, enquanto abria a porta do carro via o rio, a ponte, sua cidade refletida nas águas do Capibaribe. Ela gostava muito de sua cidade, gostava de pertencer a Recife. Mesmo sabendo de toda a violência que acontecia ela só estacionava ali. Mas sua cabeça no momento estava em São Paulo, pensava: “Onde ele estará? No transito, em casa, no trabalho. Onde e com quem?”
Os dias se passavam da maneira mais lenta e cruel para Madalena. As semanas pareciam anos. Esperava todos os inícios dos finais de semana, como quem espera um bem dos mais preciosos. Mas estava mas bem humorada, tinha mais paciência com as crianças. Uma grande indiferença ao marido, era o que sentia naquele momento. Enfim, sexta-feira. Chegara cansada mais uma força que ela não sabia de onde vinha, fez com que atendesse satisfatoriamente as crianças. Notara a ausência de Paulo, mas não a sentiu. Tinha acabado de sair do banheiro, tomará um banho especial, como quem se prepara para um grande encontro. Ela não se continha de tanta vontade de sentar-se em frente ao computador. Ainda estava com o roupão cor de rosa que ganhara no dias das mães, e tinha os cabelos ainda molhados, escondidos por uma toalha também da mesma cor. O telefone toca. Uma leve insatisfação aparece em seu rosto, mas não foi capaz de tirar o bom humor que estava sentindo naquela noite. Atendeu ao telefone e disse:
- Alô.
- Madá, sou eu Laura. Tudo bom?
- Tudo. O que você quer?
- Nada, só jogar conversa fora. Nunca mais nos falamos.
- Mas agora não posso.
- Porque?
- Nada em especia,.apenas não posso.
- É alguma coisa com os meninos?
- Não, eles estão ótimos. Amanhã eu te ligo, está bom assim?
- Não, quero conversar agora.
- É que estou estourando de dor de cabeça...
- E desde quando vontade de entrar na internet se chama dor de cabeça?
- Como?
- Nada, me liga mesmo amanhã.
- Ligo sim. Um beijo.
- Outro...
Enfim conseguiu desligar o telefone, se livrar da conversa fiada da amiga. Quando se sentou de frente ao computador, o telefone novamente chamou. Levantou-se e sentou no sofá que ficava perto da mesa em que estava, pegou o telefone:
- Alô.
- Sabe quem está falando?
- Não.
- É o Rui, não conhece mais minha voz, faz tanto tempo assim que não nos falamos?
- Rui! Como você vai rapaz?
- Estou bem, e o Paulo?
- Está ótimo também, e a Sandra, vocês?
- Olha, nunca estivemos tão bem. Estou ligando para chamá-los para o aniversário do Thiago, no próximo domingo. Vocês não podem deixar de trazer os meninos.
- Já faz um tempão que não nos falamos. Eu, Paulo e os meninos vamos mesmo.
- Certo. Estou esperando. Diz ao Paulo que a cerveja vai estar geladinha, no ponto.
- Digo. Um abraço.
- Outro, estou esperando vocês. Tchau.
Ela desligou, balançou a cabeça lentamente, foi até a cozinha, fazia calor. Depois de beber água escutou a porta da sala se fechar:
- Paulo?
- Sou eu querida. – disse isso já na porta da cozinha, e aproximando-se mais deu-lhe um beijo na cabeça. Ela retribuiu passando as mãos ternamente nos seus ombros, e falou:
- O futebol já acabou? Você sempre chega mais tarde.
- Hoje não teve não, você não sabe o que aconteceu?
- O que foi?
- O Rui.
- Ah!...
- O Rui separou da Sandra. Você ia dizer o que mesmo?
- Nada, me conta essa historia.
- Ele está mau, viu?
- É...
- Ligou pra mim e para Jaime, quer falar com a gente. Não posso deixar de ir. Só não te levo porque e chato. Três homens, sabe como é. Sempre sai um palavrão. Mas vejo se me livro logo disso, e volto mais cedo pra gente brincar um pouquinho, ta?
- Nada, seu amigo precisa, você não pode faltar numa hora desta. Dá um abraço nele por mim.
- Vou tomar um banho. Tem alguma coisa pra jantar?
- Arroz e salada, posso passar um bife.
- Ótimo.
- Sozinha na cozinha preparava o jantar e balança mais uma vez a cabeça lentamente, o sorriso pequeno que aparecia no seu rosto, demonstrava mais uma tristeza do que qualquer tipo de satisfação. De volta a porta Paulo com uma toalha na cintura, pediu:
- Meu amor, dá pra sair também uma cebolinha torrada na manteiga, daquele jeito que só você sabe fazer?
- Claro.
- Sabe quem está de volta na cidade?
- Não, quem?
- Aquele teu ex, que era bem rico. E você o deixou por que a irmã dele te humilhou, ou coisa parecida.
- O Guilherme?
- Sim, ele mesmo. A tua grande paixão, que só o papai aqui te fez esquecer.
- Eu não sei o que seria de mim, sem você para esquecê-lo. – Ela disse isso sorrindo.
- Eu vi no jornal. Esse pessoal de dinheiro vive no jornal.
- Eles são noticia, ou fazem a noticia. Agora vai logo tomar banho senão quando eu terminar aqui vai ficar tudo frio, e eu não vou esquentar nada.
Depois que terminou tudo na cozinha Madalena sentada no sofá folheava uma revista displicentemente. Ate que o marido apareceu a sua frente. A sala ficou perfumada com a sua presença:
- Você esta muito perfumado.
- Você não quer que o seu garanhão ande por ai sem cheiro.
- Vai logo embora, não deixa o teu amigo esperando muito não, ele deve esta muito chateado.
- Você tem razão querida, deixa-me ir então.
Enfim conseguiu se livrar dos telefonemas, do marido e de tudo o mais. Respirou fundo, ligou o computador. Estava entrando em seu mundo virtual, que para ela naquele momento de sua vida era o mais importante do que qualquer coisa do mundo real:
(12:10:21) FADA*AZUL entra na sala...
Load_Combo("re", "rangel 28 bh bi>casado-33-sp>passivo obedece>@udi>Cowboy:)>BOY@.BH>RICK>Garoto solitário>sexo c/cam RS>preto>H48>fael.msn>Fernando>pau duro>Daniel/Cam>ADVOGADO intSP>35gordinpas int sp>CAM(punheta)>FRANMAR>cacetudo/CAM>gostosinho>Thelma>50%>FADA*AZUL>novo>gwre>EUA>Dudu Rio>Leandro . sp>Herodes II>JAIME>paulo.atv.copa>teen-cam", 1);StatusList(1, "");
Load_Combo("re", "DOM_QUIXOTE-]----->SUJEITINH@>Mell>carolla>Calado.", 1);StatusList(1, "");
(12:11:27) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Olá menina, estava aqui te esperando.
(12:12:32) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Como Você está? Não estava me contendo de tanta ansiedade pra entrar aqui, e estar contigo. (risos).
(12:13:33) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Eu estou bem. Mas sempre pensando em você.
(12:14:35) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Eu também. Está ate ficando perigoso, um dia ia batendo o carro pensando em você.
(12:15:38) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Mas sabia que outro dia me aconteceu a mesma coisa?
(12:16:40) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Se aqui no recife o transito está o caos que está. Eu imagino aí.
(12:17:41) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Aqui está muito ruim mesmo. Mas não vamos falar de nada ruim, só de coisas boas.
(12:18:42) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Concordando aqui.
Ela conversava como uma adolescente que não via seu namorado a bastante tempo, seus dedos não paravam sempre teclando, e a cada mensagem que lia, um sorriso feliz lhe surgia nos lábios. Estava feliz, muito feliz:
(12:19:21) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Olha menina. Tem uma coisa que preciso te falar. Tenho que te contar algo. Se não te falar logo, nem sei. Tenho ficado muito ruim. Tenho que te falar mesmo.
(12:20:23) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Ai meu Deus! O que é? Já estou com medo.
(12:21:27) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Não e nada muito serio. É que não estou em São Paulo como te falei quando nos conhecemos. Estou mais perto de você do que imagina. Estou aqui mesmo no Recife, em Boa viagem.
(12:25:30) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Não acredito!
(12:27:31) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Está muito chateada comigo?
(12:28:38) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Nada. Estou é muito feliz. Está foi a melhor noticia que me deu. Tenho que te confessar que também não falei toda a verdade para você, Ricardo. Não me chamo Marlene, e sim Madalena.
(12:29:40) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Mas é um nome bonito também. (risos)
(12:32:42) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Nossa! Não estou acreditando é muito bom, para ser verdade.
(12:33:43) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Tem outra coisa que quero muito te contar.
(12:50:03) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Não, hoje não. Não sei se agüento outra surpresa. Só quero saber quando a gente pode se conhecer. Quero te ver, quero te tocar, (risos).
(12:50:06) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Só vou puder na próxima sexta.
(12:52:07) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Para mim esta ótimo.
(12:53:10) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Mas quero que saiba uma coisa...
(12:54:15) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Diga.
(12:55:18) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Você me gosta sem saber quem eu sou, sem nunca ter me visto, certo?
(12:56:19) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Certo.
(12:57:20) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Quero que saiba que lhe gosto da mesma maneira, esta bem?
(12:58:23) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Sim, está.
(12:59:26) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Você sabe onde é o bar Companhia? Na rua Tenente João Cícero. Fica quase em frente ao hotel Tívoli.
(01:10:25) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Sei, sei sim. Esse bar fica vizinho a padaria Boa Viagem. Certo?
(01:11:27) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Isso mesmo. (risos)
(01:12:29) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
As vinte horas para você, esta bom?
(01:13:30) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Acho que está. Está sim.
(01:14:10) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Combinado então.
(01:15:15) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
E quanto aquele outro assunto que quero te falar?
(01:16:13) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Já disse que hoje mais não. Você vai me contar esta outra coisa pessoalmente.
(01:17:05) INDIANA.JONES (reservadamente) fala para FADA*AZUL:
Mas...
(01:17:39) FADA*AZUL (reservadamente) fala para INDIANA.JONES:
Não.
A conversa continua ainda por muito tempo. Horas ardentes, horas ternas. Mas já estava quase amanhecendo, tinha que sair. E mais uma vez nunca uma semana demorou tanto a passar para aquela mulher apaixonada, do que aquela ultima. As vezes se pegava contado ate os segundos, olhando para o relógio enquanto o sinal de transito não abria.
O encontro fora marcado para as oito, mas ela chegara uma hora e meia com antecedência. O bar Companhia, nas sextas tem suas mesas muito concorridas. Madalena ocupou a ultima mesa disponível. Ao sentar-se deixou a sua bolsa sobre suas pernas, segundos depois a colocou na cadeira ao lado. O ambiente estava repleto, barulhento:
- Vai um cremoso, madame?
- Cremoso?
- Sim madame,um chopp.
- Chopp? Cremoso? Acho que vou provar, me traga um, então.
A bebida chegou, bem gelada e com bastante colarinho. Antes de prova-la voltou sua bolsa para a cadeira ao lodo, pois minutos antes a tinha voltado pra o seu colo. Gostou, uma bebida suave e saborosa. Não podia deixar de olhar para cada homem que entrava sozinho, depois passou a observar também os que chegavam acompanhados. Com todas as mesas lotadas já era grande o numero de pessoas que esperavam por uma vaga. De repente ela teve a nítida expressão que todos a olhavam com uma certa censura, pois ocupava uma mesa sozinha e os três lugares vazios a sua volta passou a incomodá-la. Se todos os freqüentadores não estivessem a impor uma certa desaprovação, era assim que ela os estava sentindo. Uma nostalgia repentina nasceu em seu ser. Lembrou os anos oitenta, e seu grande amor que ficou para traz em um passado já esquecido. Não sabia o que estava fazendo ali, nem tão pouco no que tudo isso acabaria. Olhou a sua volta e observou tudo que acontecia e a todos os presentes. Sua atenção parou no telão em que exibia a cantora Grace Jones contando a musica La Vie Em Rose. A cantora com sua voz estranha dava a música uma sonoridade agradável. Estava explicado, a música que tocava era a sua predileta e de seu amor do passado. Ela logo se puniu. Não aceitava mais pensar em uma coisa que acreditava que já estava encerrada, por que foi a muito custo que conseguiu esta proeza. Contou as bolachas de papelão que serviam de pequena bandeja para os copo. E já tinha bebido seis. Era um verdadeiro recorde já que a muito tempo não passava de no máximo dois copos. Passado um certo tempo voltou a contar as bolachas, e estas já eram sete.
Madalena estava sendo observada, por uma elegante mulher, vestida em um taileur preto, que salientava ainda mais as curvas de seu belo corpo. Os cabelos bem penteados ajudavam ainda mais a ser uma mulher que não passaria desapercebida onde estivesse. Como que criasse uma coragem repentina, a estranha caminha em passos contidos cheios de hesitação, ate a mesa ocupada apenas por Madalena:
- Ola. Parece que levamos um bolo. Posso sentar?
- Claro.
- Também estou esperando alguém. Mas ali em pé e sozinha fica mais difícil, não é?
- Claro. Acho que foi Deus que te mandou aqui, pois se ficasse a esperar mais alguns minutos sozinha, acho que iria enlouquecer.
- Nossa, pelo visto espera alguém importante.
- Não sei se será tão importante assim, mas que vai mudar minha vida, isso pode acreditar que sim.
- As duas logo pareciam velhas amigas, a que antes estava sozinha e tensa na mesa, agora conseguia relaxar, e dar alguns sorrisos. E disse:
- Parece que já falo com você à tempos.
- Mas é assim mesmo, quando nos identificamos com alguém, temos logo esta sensação. Enquanto observava você, sozinha, alguma coisa me dizia que íamos nos dar bem. Talvez tenha sido isso que motivou eu vim ate aqui pedir para sentar contigo.
- Que legal. – Disse ela depois que a nova amiga calou-se, em seguida voltou novamente sua bolsa para suas pernas. Um homem louro aparentando uns trintas anos entrou. Ela com toda a força que tinha apertou sua bolsa. Mas para sua decepção o homem passou pela sua mesa e sentou-se com amigos ao lado.Foi como uma ultima esperança que se foi, resolveu ir para casa, mesmo não suportando a idéia:
- Acho que já vou, quem eu espero não vem mesmo.
- Eu também, não vou ficar aqui sozinha. Você esta com carro?
- Não, quando vim era cedo, moro aqui perto e vim andando.
- Eu moro perto também, logo aqui no edifício Château Royal.
- O Château Royal que fica na rua Faustino Porto?
- Isso mesmo.
- Que coisa! Moro no edifício Acauã, vizinho.
- Então aceita uma carona, pelo menos não vamos sozinhas.
As duas chegaram, e a nova amiga de Madalena lhe perguntou se não queria subir um pouco, já que eram vizinhas e não sabiam. A convidada pensando na velha rotina que a esperava, aceitou de imediato.
As amigas entraram no apartamento. A sala pequena com poucos móveis, mas bem distribuídos. Entravam em harmonia com os quadros nas paredes em lugares estratégicos. Esta combinação dava um certo ar intimista ao ambiente. Em um canto uma mesa se encaixava e nela um computador, o que logo chamou a atenção da visita. Sentou na cadeira com rodinhas e disse:
- Um computador, foi como tudo começou, sabia? – Dizendo isso mais uma vez passa os dedos nas teclas do teclado do lado esquerdo para o direito. Mas terminando de fazê-lo ficou pálida e muito confusa. Sua mão bateu em uma estatueta que estava vizinha ao teclado. A amiga se aproximou e ainda de pé segurou sua mão, e perguntou:
- O que você tem? Esta branca...
Sentada na frente do computar ela tentou se explicar, mas as palavras não saiam de sua boca. Estava atordoada.
Como se novamente se alimentasse de uma grande coragem, a amiga que continuava de pé ao seu lado, apertou-lhe a mão e disse:
- Isso mesmo, é uma estatueta do Indiana Jones.
Nunca nenhuma palavra dita a ela, a deixaram mais confusa, e sentiu-se confortável por estar sentada, pois não sentia as sua pernas. E mais uma vez se nutrindo de coragem, a amiga continuou:
- Eu sou o Indiana Jones. Lembra que quando marcamos o entro eu queria te falar mais alguma coisa e você não deixou?
- Como você sabe de tudo isso? Ta brincando comigo...
- Não estou brincando, e essa coisa de sermos vizinhas me surpreendeu tanto quanto a você.
- Esta maluca? – E no acesso de fúria levantou-se. Puxando bruscamente a mão que ainda era segurada pela amiga. Suando muito com as duas mãos sobre a cabeça, estava quase tendo um esgotamento nervoso. Uma náusea violenta fazia todo o seu organismo incomoda-la. Não agüentando mais aquela situação vomitou em cima do teclado. O que a fez se sentir mais envergonhada ainda. Passando a mão na boca, respirando fundo, conseguiu falar:
- Pelo amor de Deus, esquece toda esta historia, e faz de conta que você nunca me viu. Faz isso pelo amor do que você acha mais sagrado neste mundo. – Depois de se recompor, segurou sua bolsa tão maltrata naquela noite. E seguiu ate a porta. Antes de sair, virou-se, e já mais calma, pediu:
- Faz o que ti pedi, não torna nada mais difícil para mim do que já esta sendo.
- Pode deixar, assim será. Mas se precisar de uma amiga estarei aqui sempre te esperando. - Respondeu a dona da casa imóvel, com uma calma, que diante de todo que havia acontecido parecia ser impossível. Não dando resposta, nem olhando pra traz Madalena saiu e fechou a porta delicadamente. Dentro da sala a bela mulher que parecia serena diante do caos, atirou-se no sofá, e enfim se entregou ao choro compulsivamente. Seus soluços eram escutados no outro lado da parede, onde a outra no hall, chamava o elevador, apertando o botão de uma maneira aflita. Lembrou-se que se encontrava no primeiro andar, e desceu as escadas correndo, parando só quando chegou na guarita. O que despertou o olhar atordoado do vigia que se encontrava dormindo.
Chegando em casa guiada somente pelo instinto, após tirar a chave da fechadura e abrindo em seguida aporta, se depara imediatamente com o marido:
- Isso são horas, está quase amanhecendo. Posso saber onde a senhora estava?
- Não... – Madalena notou na sua maneira de falar que foi a resposta mais fria que dera em toda a sua vida.
- Ah! Vai me dizer sim, e vai ser agora.
- Não vou lhe dizer nada bebe urso...
- O que? – O dia começa a amanhecer, mas a sala ainda escura era iluminada pela a luz de um abajur, de frente para a luz Paulo era o mais iluminado dos dois, e esta mesma luz mostrava todo o seu descontrole que mostrava seu rosto transtornada. - De que você esta falando, deve estar inventando coisas pra se desculpar pela hora que ta chegando em casa. Não sei que palhaçada é esta que esta falando.
- Olha, não adianta negar eu já sei de tudo.
- Você quer sabe mesmo de tudo? Tenho uma puta sim, porque não te agüento mais. Você não sabe satisfazer um homem, não sabe trepar. Tenho vontade de dormir em cima de você.
- Você tem razão Paulo, eu concordo. Mas não sei trepar porque fui burra, me guardei para um calhorda como você. Nunca tive chance de aprender, como também nunca tive um bom professor. Você para um garanhão sem barriga sabe muito pouco destas coisas, ou melhor, não sabe nada.
- A senhora esta muito sabidinha para o meu gosto.
- Mais uma vez tenho que concordar com você. Mas te digo que nunca e tarde para aprender. E não vai ser você que vai me atrapalhar, porque você vai sair deste apartamento e da minha vida antes que amanheça.
- Você vai se arrepender, depois vai me pedir pra voltar, mas não volto, viu?
Não adianta quem não é capaz de entender um olhar, jamais entenderá uma explicação.
- É mais, eu fui o seu primeiro.
- A vantagem meu filho, não é ser o primeiro e sim o ultimo.
- Mas todas as Madalenas da vida que eu conheço que perderam o seu primeiro, ainda hoje estão a procurar o tal ultimo.
- Se tem uma coisa que aprendi este tempo todo que vivi com você, desde que nos casamos rapaz, foi que a pior solidão, e a solidão a dois.
Ao contrario do que podia esperar de si mesma, Madalena estava leve e tranqüila, quando o marido saiu e fechou a porta atrás de si. Começaria ali para ela uma nova vida, uma vida real sem sonhos, mas que ela seria a escritora de sua nova historia. Vai até o quarto, os meninos dormem bem. Não sente vontade de estar ali, e vai andar um pouco na praia.
Amanheceu, Madalena sentia uma imensa paz, observava o espetáculo simples mas tão agradável de se ver. A manha na praia de Boa Viagem estava sem igual. A areia dourada pelos primeiro raios de sol entrava em contraste com a espuma branca das ondas que morriam na areia. Ela não era a única a observar, desde que sentou no banco de cimento do calçadão. Um homem a olhava. Ele não fazia questão de esconder isso, e foi cada vez mais se aproximando dela.
“Só me falta agora ser assaltada por um homem de sunga, o que irá mais me acontecer?” Perguntou a si mesma quando notou a aproximação do estranho. Mas parecia também alheia a tudo a sua volta, não tinha a menor intenção de levantar-se: “Seja o que Deus quiser.” – Sentenciou-se em seus pensamentos:
- Oi menina! Não me conhece mais?
- Não. – Respondeu calmamente sem prestar atenção em seu interlocutor:
- Sou eu, Guilherme.
- Guilherme! Que Guilherme?
- Aquele que você enganou, dizendo que o amava...
- Menino, é você? Como esta bem! O tempo lhe foi generoso.
- Não tanto como com você, Madalena.
- Mas me conta rapaz, o que tem feito da vida?
- Não foi bem eu que fez com ela, é ela que tem feito comigo. – Dizendo isso ele sorriu e continuou. – Casei, estou divorciado. Morei um tempo fora do Brasil, e agora estou de volta a terrinha. E você?
- Quanto a mim, nem queira saber. Nos últimos tempos toda a minha vida correu em um curto espaço de tempo, o que ficou parado durante anos. É uma longa historia quem sabe, eu te conto um dia destes. Claro, se tiver paciência de escutar uma velha amiga.
- Velha amiga? – Depois de sua admiração, continuou. - Madalena tenho que lhe fazer a pergunta que não quer calar. Porque tudo aquilo, Eu nunca entendi por que você se comportou naquela maneira.
- Já faz muito tempo, menino. Eu era muito menina, você vai ter que me perdoar.
- Só lhe perdôo se você jantar hoje comigo.
- Então estou perdoada, a que horas você me pega?
- Aceitou? Não acredito! Onde você Mora?
- Ah! É logo ali. Fica entre a avenida Conselheiro Aguiar e a avenida Domingos Ferreira. É um prédio...
madrugada de 05 de abril de 2005
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